Brasil atinge meta para eliminar transmissão da hepatite B de mãe para filho
País alcança critérios internacionais por dois anos consecutivos e solicita certificação à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS)
O Brasil alcançou as metas internacionais estabelecidas para a eliminação da transmissão vertical da hepatite B, quando a infecção passa da mãe para o bebê. O resultado foi anunciado nesta terça-feira (28), durante as ações do Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, e representa um avanço importante nas políticas públicas de prevenção e controle da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, o país cumpriu, por dois anos consecutivos, os critérios internacionais necessários para que a transmissão da hepatite B de mãe para filho deixe de ser considerada um problema de saúde pública. No período analisado, menos de 0,1% das crianças de até cinco anos apresentaram infecção ativa pelo vírus da hepatite B (HBV).
Diante dos resultados, o governo brasileiro apresentou à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS) um dossiê com evidências que fundamentam o pedido de certificação internacional. A análise deverá avaliar os indicadores alcançados pelo país e as estratégias adotadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Avanço é resultado de ações de prevenção
A redução da transmissão vertical está relacionada a um conjunto de medidas adotadas na rede pública de saúde, incluindo o acompanhamento pré-natal, a testagem das gestantes, o tratamento antiviral quando indicado e a vacinação dos recém-nascidos.
A vacina contra a hepatite B é considerada uma das principais ferramentas para prevenir a infecção. A aplicação da primeira dose nas primeiras horas de vida é uma estratégia fundamental para reduzir o risco de transmissão do vírus da mãe para o bebê.
Além da vacinação, bebês de mães diagnosticadas com hepatite B podem receber imunoglobulina específica, conforme indicação dos protocolos de saúde, ampliando a proteção contra a infecção.
Segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, a cobertura do acompanhamento pré-natal ficou acima de 98% entre 2024 e 2025, superando a meta internacional de 95%. Já a vacinação contra o vírus da hepatite B nas primeiras horas de vida alcançou 97% dos recém-nascidos em 2024 e chegou a 100% em 2025, acima da meta mínima de 90%.
Meta representa avanço para a saúde pública
A transmissão vertical da hepatite B é uma preocupação especialmente relevante porque a infecção adquirida nos primeiros anos de vida apresenta maior risco de se tornar crônica. Por isso, a identificação da infecção durante o pré-natal e a adoção de medidas preventivas no nascimento são fundamentais para proteger a saúde das crianças.
O resultado alcançado pelo Brasil também reforça a importância da integração entre atenção primária, assistência pré-natal, vacinação e vigilância epidemiológica.
O Ministério da Saúde destacou que o avanço faz parte de uma estratégia mais ampla para enfrentar as hepatites virais e outras infecções transmissíveis de mãe para filho. A meta do país é avançar na eliminação de outras doenças e alcançar novos reconhecimentos internacionais até 2030.
A conquista ocorre após o Brasil também ter obtido, em dezembro de 2025, a certificação internacional pela eliminação da transmissão vertical do HIV. O governo pretende ampliar os resultados para outras infecções, incluindo sífilis, doença de Chagas e HTLV.
A certificação internacional da eliminação da transmissão vertical da hepatite B ainda depende da avaliação dos organismos internacionais, mas o cumprimento dos indicadores representa um marco importante para as políticas de saúde pública brasileiras.
Fonte: Agência Brasil e Ministério da Saúde.



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