OMS defende calendário vacinal infantil após redução de imunização nos Estados Unidos
Organização Mundial da Saúde afirma que esquemas de vacinação devem seguir evidências científicas e alerta para riscos de queda na proteção contra doenças evitáveis
A Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu a manutenção de calendários de vacinação infantil baseados em evidências científicas após uma decisão do governo dos Estados Unidos que reduziu o número de imunizações recomendadas para crianças. A medida anunciada pelo presidente Donald Trump gerou críticas de especialistas e autoridades da área da saúde.
Segundo a OMS, as recomendações de imunização são construídas a partir de décadas de pesquisas, análises técnicas e avaliações de riscos específicos de cada país. A entidade destacou que os programas de vacinação precisam considerar fatores epidemiológicos, capacidade dos sistemas de saúde e proteção coletiva da população.
A mudança determinada pelo governo norte-americano prevê uma redução das vacinas consideradas essenciais para crianças, passando de um calendário mais amplo para uma lista com 11 imunizações recomendadas. A administração Trump afirma que a alteração busca alinhar os Estados Unidos a práticas adotadas por outros países desenvolvidos.
OMS alerta para importância da vacinação infantil
A Organização Mundial da Saúde reforçou que a vacinação é uma das principais estratégias de prevenção de doenças infecciosas e que alterações nos calendários precisam ser sustentadas por comprovação científica.
A entidade informou que suas orientações contam com a participação de especialistas internacionais e grupos técnicos, como o Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE). Especialistas em saúde pública avaliam que a redução das recomendações pode aumentar a vulnerabilidade de crianças a doenças que já possuem formas eficazes de prevenção por meio das vacinas.
Entre as preocupações levantadas está o risco de atrasos na aplicação das doses e redução da cobertura vacinal, fatores que podem favorecer o retorno de doenças controladas.
Decisão nos EUA gera críticas de especialistas
A mudança anunciada pelo governo norte-americano também recebeu críticas de organizações médicas e fabricantes de vacinas, que afirmam não existir novas evidências científicas capazes de justificar uma redução ampla no calendário infantil.
Outro ponto questionado envolve a recomendação de separar a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, em aplicações individuais. Especialistas afirmam que não há comprovação de benefício nessa alteração e alertam para possíveis dificuldades no cumprimento do esquema vacinal.
Brasil mantém calendário nacional de vacinação
No Brasil, o calendário de vacinação infantil é definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, e atualizado conforme critérios técnicos e científicos. As vacinas são disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O Ministério da Saúde reforça que a imunização é fundamental para evitar doenças graves e manter o controle de enfermidades como poliomielite, sarampo e outras infecções preveníveis.
A OMS afirmou que continuará defendendo programas de vacinação estruturados e baseados em ciência como ferramenta essencial para proteger crianças e reduzir impactos de surtos de doenças em todo o mundo.



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